Gestão dos Recursos

A Geologia dos Solos da Herdade do Esporão

A Geologia dos Solos da Herdade do Esporão

Em 2008, iniciámos um caminho de mudança na forma como produzimos. Conduzidos pela curiosidade que nos é intrínseca e pela nossa missão – fazer os melhores produtos que a Natureza proporciona de modo responsável e inspirador -, temos vindo a estar mais atentos, a olhar para cada detalhe.

Durante este percurso, percebemos que seria importante conhecermos melhor os nossos solos e as suas características, para optimizar as nossas práticas de gestão agrícola de rotina, como análises de solos, gestão de água de rega, reestruturação de talhões de vinha, entre outras.

Para isso, foi fundamental a elaboração de um mapa geológico das vinhas da Herdade do Esporão, desenvolvido pelo geólogo José Borrego.

Pretendíamos um mapa detalhado que nos permitisse identificar as variações litológicas (ou “rochosas”) do terreno, ao nível do talhão, e relacionar estes dados com a informação qualitativa das uvas. Queríamos perceber se existiam, nos talhões destinados à elaboração de vinhos premium, algumas características geológicas correlacionáveis (um trabalho ainda em curso). Além disso, queríamos conhecer, em maior profundidade, o terroir das vinhas da Herdade do Esporão, e as suas características relevantes e distintivas da restante região vitivinícola Alentejana.

Já é longa a história da área de vinhas em produção na Herdade do Esporão e, por isso, enquanto desenvolvíamos este trabalho de campo, descobrimos alguns segredos que estavam bem guardados.

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As mais antigas rochas ali encontradas – Formação de Xistos de Barrancos -, tiveram origem em sedimentos num fundo marinho, formadas há cerca de 500 milhões de anos atrás.

Naquela altura, sobre os fundos marinhos depositaram-se materiais de origem vulcânica, mais concretamente, do Complexo Vulcano-Sedimentar de São Marcos do Campo. E mais tarde, entre 400 a 280 milhões de anos atrás, a actividade tectónica e vulcânica intensa culminou na formação de uma antiga cadeia montanhosa: a cadeia orogénica Varisca (que se estendia do actual golfo do México, até ao Leste Europeu).

Com o tempo, os sedimentos que se encontravam no fundo marinho, foram transformados em rochas metamórficas xistentas. A estas associou-se uma intensa actividade magmática, contemporânea da instalação dos corpos magmáticos intrusivos dioríticos e, mais tarde, do Maciço Eruptivo de Reguengos de Monsaraz, há cerca de 300 milhões de anos.

Hoje sabemos que a actual formação do relevo, conjugada com a meteorização das rochas e a consequente formação dos solos, reflectem essencialmente os fenómenos geológicos e climáticos ocorridos nos últimos 2 milhões de anos.

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Amostra dos sete solos da Herdade do Esporão: Corneanas Pelíticas
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Amostra dos sete solos da Herdade do Esporão: Dioritos
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Amostra dos sete solos da Herdade do Esporão: Filões Aplito-Pegmatíticos
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Amostra dos sete solos da Herdade do Esporão: Granodioritos e Tonalitos
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Amostra dos sete solos da Herdade do Esporão: Metapsamitos e Metapelitos Cinzentos
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Amostra dos sete solos da Herdade do Esporão: Metapsamitos e Metapelitos Vulcanoclásticos
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Amostra dos sete solos da Herdade do Esporão: Xistos Mosqueados
As vinhas da Herdade do Esporão localizam-se numa área circunscrita a cerca de 10 km², onde se encontra um número considerável de unidades geológicas constituídas por rochas metamórficas com génese vulcano-sedimentar e rochas magmáticas. Uma grande diversidade litológica que torna a Herdade do Esporão num local único.

Percebemos, também, que as rochas usadas como sinalética, nas estradas principais, indicando o Enoturismo, Adegas, Lagar, entre outros pontos de interesse, são rochas de natureza diorítica. Rochas estas cuja presença parece estar circunscrita à Herdade do Esporão, sendo, por vezes, coincidente com alguns dos talhões vocacionados para a obtenção de vinhos tintos premium.

Por curiosidade, descobrimos que, se dividirmos a área de vinha em duas metades, encontramos uma provável zona de falha com orientação Norte – Sul. Esta situa-se ao longo da pista de aviação e segue, pelo menos, até às imediações da Torre do Esporão. De uma forma geral, zonas de falha coincidem com locais de circulação de lençóis freáticos, ao nível do subsolo. É assim provável que a relativa abundância de água, aliada à maturidade dos solos circundantes, poderão ter sido factores determinantes para a ocupação medieval e, consequentemente, para a construção da Torre do Esporão.

Todo este trabalho ajudou-nos a concluir que o terroir intrínseco às vinhas da Herdade é caracterizado pela sua diversidade rochosa, destacando-se pela abundância de rochas magmáticas dioríticas.