Em 2004, o Esporão Reserva e Private Selection já tinham atingido um equilíbrio e um conforto que nos permitia pensar em novos projectos. Queríamos criar um vinho acima do Private Selection, em pequenas quantidades e, pelas suas características, este era o ano certo para produzirmos um vinho com a qualidade que imaginávamos. Passados três anos de estágio em garrafa, o nosso primeiro Torre, maioritariamente de Touriga Nacional, estava pronto.

Em 2007, a Primavera muito fresca permitiu uma evolução lenta e gradual da maturação das nossas uvas, e as temperaturas amenas durante a vindima reflectiram-se nos aromas e sabores dos vinhos. Este que se revelou um dos melhores anos da década, deu origem ao nosso segundo Torre, onde a casta Aragonez predominou e se evidenciou.

O clima e a Natureza ditam quando é possível criar-se um vinho destes e são esses os principais factores que tornam um ano único. Esperámos até 2011 para voltarmos a produzir Torre. Este ano ficou marcado pelo Inverno muito chuvoso com oscilações da temperatura e humidade fora de época, e pelas dificuldades que tivemos no controlo das doenças na vinha. Porém, o Verão ameno, com noites frescas, permitiu que a maturação ocorresse de forma suave, originando uvas de excelente qualidade. É importante que Junho não apresente temperaturas demasiado altas, prevenindo a sobrematuração. As temperaturas devem subir de forma gradual e é essencial a frescura. Este foi um ano mais ameno precisamente em Junho e Julho (comparativamente aos últimos 13 anos), o que se reflectiu em vinhos mais aveludados e num ano memorável para os vinhos do Alentejo.

O Torre 2011 tem na sua base três castas distintas com particularidades únicas que, ao longo de 40 anos, temos vindo a trabalhar de forma mais personalizada. Os diferentes solos onde encontramos a Alicante Bouschet, Syrah e Touriga Franca (graníticos, xistosos e franco arenosos), na Herdade do Esporão, são essenciais na identidade e na riqueza vinho.

A qualidade do Torre reflecte-se também na forma como as uvas são seleccionadas e como o vinho é vinificado. A vindima é por castas, e as melhores uvas são seleccionadas para serem pisadas em lagares. Depois da fermentação alcoólica com temperaturas controladas em lagares (22º a 25ºC), da prensagem, e da fermentação maloláctica em barricas, o vinho estagiou 18 meses em barricas de carvalho francês e americano, na sua maioria novas, e 3 anos em garrafa. Pelas suas características, é produzido em pequenas quantidades, existindo apenas 4 055 garrafas – 3 743 de 750ml e 312 de 1,5l.

Com um perfil diferente a cada colheita, o mais recente Torre apresenta uma cor densa, quase opaca. É complexo e concentrado, com notas de fruta de bagas pretas, apontamentos de licor de chocolate amargo e alguma menta fresca. Não lhe faltam as especiarias e barrica muito bem integradas. Na boca, é profundo, compacto, cremoso, denso, estruturado, com uma textura acetinada. O final, longo e cheio de carácter.

Os três Torres que levamos já na bagagem unem-se numa mesma história – na sua origem, a história da Herdade do Esporão. Tanto em 2004, 2007 ou 2011, conseguimos encontrar o lado mais fresco dos anos de colheita e as características de cada castas.

Edição após edição, a fasquia aumenta. E é recompensador, na hora de provar, termos a confirmação de todo o trabalho e esforço dedicados. Agora é aproveitar enquanto esperamos pelo próximo grande ano.