A Torre do Esporão, uma das mais importantes torres construídas na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, terá sido edificada pelo Morgado D. Álvaro Mendes de Vasconcelos, entre os anos 1457 e 1490, datas que correspondem, respectivamente, ao momento da posse do morgado e ao seu falecimento. Esta atribuição é do historiador José Pires Gonçalves, que teve em conta o projecto arquitectónico de implantação da Torre.
Álvaro Mendes de Vasconcelos vinha de uma família nobre em ascensão ligada à poderosa Casa de Bragança – era cavaleiro da casa do Duque de Bragança e regedor da cidade de Évora.
Entende-se, assim, a construção da Torre do Esporão como um sinal visível de erupção da pretensão aristocrática. Esta era uma necessidade de afirmação da nova linhagem que, entre outros sinais, tinha por hábito erguer uma torre ou casa forte como verdadeiros símbolos da sua afirmação na sociedade.
A função primeira deste tipo de torres era a de habitação, mas nos finais do século XV as torres que existiam em Portugal dificilmente serviriam de morada permanente, uma vez que as suas dimensões eram muito reduzidas.
Podiam também ter sido refúgios seguros para pessoas e bens, em caso de extrema necessidade. Mas, antes de tudo, eram um símbolo de senhorio e poder militar.
A importância que as torres medievais voltaram a adquirir no final da Idade Média verifica-se essencialmente na existência da referida Ermida de Nossa Senhora dos Remédios: a sua presença indica não só que os seus possuidores tinham começado a fazer mais uso das torres espaçosas, mas também que existia uma certa sacralização do espaço em que se erguiam.
Desenhando um quadrilátero de 14,40m por 10,9m, a planta da Torre do Esporão apresenta dimensões pouco usuais – é relativamente mais larga, quando comparada com construções antecedentes ou mesmo contemporâneas. No entanto, mais tarde, acabou por servir de modelo a outras torres, o que demonstra bem a influência que teve em posteriores construções de torres no Alentejo.