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A Herdade dos Perdigões
A Herdade dos Perdigões, uma herança do passado


A Herdade dos Perdigões, propriedade do Esporão, situa-se nas imediações de Reguengos de Monsaraz. Foi lá que em 1996, na altura em que numa profunda lavra, prévia ao plantio de vinha, descobrimos o que hoje é conhecido nacional e internacionamente como “Complexo Arqueológico dos Perdigões”.

Este complexo arqueológico é constituído por fossos concêntricos escavados na rocha que culminam num centro geométrico. Com uma área total de 16 hectares, foi ocupado durante 1000 anos, entre os anos 4000 e 3000 a.C.

A planta da herdade é, em si mesma, um valioso contributo para compreender a visão do mundo dos seus construtores e habitantes.

Este espaço só pode ser verdadeiramente compreendido com base na paisagem que o rodeia: o excepcional conhecimento do território por parte do seu povo edificador resultou numa arquitectura planificada e claramente intencional.

Arqueologia na Herdade


Há pouco mais de 10 anos que a empresa ERA-Arqueologia leva a cabo campanhas de escavação na Herdade dos Perdigões.

Com base nessas escavações, tornou-se claro que o Complexo Arqueológico dos Perdigões compreende diversos espaços, entre os quais uma necrópole e um recinto cerimonial megalítico situado no exterior do recinto.

O domínio exercido pela herdade no território, particularmente sobre as restantes povoações da ribeira do Álamo, faz-nos pensar que este poderá ter sido um espaço de socialização também ligado ao sagrado e não apenas um espaço de vivência quotidiana.

Dada a sua relevância, o Complexo dos Perdigões tem  suscitado o interesse da comunidade científica internacional, sendo actualmente um sítio de referência no âmbito da investigação da pré-história recente europeia.

Este ano, para além da equipa da ERA-Arqueologia que desde 1997 dirige um amplo projecto, terá início a parceria com uma equipa do Departamento de Pré-História da Universidade de Málaga que, no local, desenvolverá os trabalhos iniciais de um projecto próprio de investigação científica.

Está em curso o processo de classificação do Complexo Arqueológico dos Perdigões como Monumento Nacional.

Escavar para conhecer

Na campanha de escavações de 2008, iniciada em Julho, foram recolhidos na Herdade dos Perdigões dados de enorme importância: foi identificado um conjunto de fossas escavadas na pré-história (entretanto totalmente recobertas de terra), sendo que numa delas se descobriram três esqueletos humanos.

Por tais elementos não se localizarem na necrópole, mas sim numa área supostamente de cariz residencial ou de trabalho, levantam-se motivos de reflexão e abrem-se novas linhas de investigação.

Uma hipótese interpretativa, particularmente estimulante mas que deverá ser devidamente testada, é a de estarmos perante um contexto relacionado com o longo ritual de gestão da morte e que culminaria com a deposição dos restos mortais dos indivíduos nos sepulcros, dos quais dois já foram integralmente escavados.

Nos Perdigões, os restos dos mortos eram colocados nas sepulturas colectivas depois de decompostos e desmembrados (aquilo que se designa como inumação secundária): depois da morte de cada indivíduo existiria um local em que o corpo seria colocado para decomposição, sendo os ossos transportados no decorrer de alguma cerimónia para colocação na sua morada definitiva, algures na necrópole. Nesta espécie de túmulo eram também colocadas oferendas e objectos dos defuntos.

O que agora foi identificado pode corresponder ao local em que o processo inicial do tratamento dos corpos mortos ocorreria. A ser confirmada esta descoberta, estamos perante um conjunto de processos nunca antes identificados arqueologicamente em Portugal.

Esporão na Herdade dos Perdigões

Percepcionando o património como um valor que é de todos e que deve ser preservado, o Esporão decidiu, em 1997, não plantar vinha nesta área. Desde então, participa no financiamento da investigação arqueológica em curso, investigação essa que todos os anos acrescenta novos conhecimentos sobre a ocupação dos nossos antepassados naquele espaço.

 

 


 

 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
 
 
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