Na campanha de escavações de 2008, iniciada em Julho, foram recolhidos na Herdade dos Perdigões dados de enorme importância: foi identificado um conjunto de fossas escavadas na pré-história (entretanto totalmente recobertas de terra), sendo que numa delas se descobriram três esqueletos humanos.
Por tais elementos não se localizarem na necrópole, mas sim numa área supostamente de cariz residencial ou de trabalho, levantam-se motivos de reflexão e abrem-se novas linhas de investigação.
Uma hipótese interpretativa, particularmente estimulante mas que deverá ser devidamente testada, é a de estarmos perante um contexto relacionado com o longo ritual de gestão da morte e que culminaria com a deposição dos restos mortais dos indivíduos nos sepulcros, dos quais dois já foram integralmente escavados.
Nos Perdigões, os restos dos mortos eram colocados nas sepulturas colectivas depois de decompostos e desmembrados (aquilo que se designa como inumação secundária): depois da morte de cada indivíduo existiria um local em que o corpo seria colocado para decomposição, sendo os ossos transportados no decorrer de alguma cerimónia para colocação na sua morada definitiva, algures na necrópole. Nesta espécie de túmulo eram também colocadas oferendas e objectos dos defuntos.
O que agora foi identificado pode corresponder ao local em que o processo inicial do tratamento dos corpos mortos ocorreria. A ser confirmada esta descoberta, estamos perante um conjunto de processos nunca antes identificados arqueologicamente em Portugal.